Com
quase duas décadas de estrada, o veterano Camisa de Vênus é, sem
dúvida, uma das mais importantes e respeitadas bandas do Brasil. A
história toda começou em Salvador, no início dos anos 80, quando
Marcelo Nova, Robério Santana (guitarra), Karl Franz Hummel
(baixo) e Gustavo Adolpho Souza Mullen (bateria), fizeram as
primeiras apresentações. Aldo Pereira Machado assumiu as baquetas
e Gustavo Mullen passa a ser o segundo guitarrista do grupo.
O primeiro compacto, de 1982, trazia apenas duas músicas
(“Controle Total” e “Meu Primo Zé”) mas que já deixavam explícitas
as influências setentistas e dos precursores do Rock como Chuck
Berry.
O álbum de estréia, batizado com o nome da banda, causou certa
polêmica na época do lançamento em 1983. Os sarcasmos e termos
pouco convencionais, no mínimo, despertaram a curiosidade da
mídia. Sem perder tempo, lançam no ano seguinte o segundo
trabalho, “Batalhões de Estranhos”, que trouxe dois dos maiores
hits de toda a carreira: "Beth Morreu" e "Eu Não Matei Joana
D’arc".
Sempre à frente do que acontecia no país, lançam em 1986 o que
seria o primeiro disco ao vivo de uma banda de Rock no Brasil,
intitulado “Viva”. Sem nenhum tipo de edição ou overdubs, o álbum
é praticamente o registro de um show do Camisa, na íntegra.
No mesmo ano, o inédito “Correndo o Risco” chegou às lojas e
obteve muita repercussão. Os destaques desta vez foram "Só o fim",
"Simca Chambord", “Silvia” e “A Ferro e Fogo”, com a participação
de uma orquestra, algo totalmente inusitado até então.
Em 1987, Raul Seixas, que já havia feito algumas jams com a banda,
consolida a parceria com Marcelo Nova, compondo juntos a clássica
"Muita Estrela, Pouca Constelação", do disco “Duplo Sentido”, em
que fazem um panorama geral do cenário musical da época.
Marcelo Nova, no entanto, preferiu dar continuidade aos seus
projetos com Raul. Após anunciar sua saída do Camisa, os outros
integrantes resolveram encerrar suas atividades. Somente em 1995,
decidem que é hora de voltar. Apesar da formação não ser mais a
mesma, saem tocando pelo Brasil afora para sentir como seria a
reação do público. Os fãs, logicamente, não decepcionaram e a
receptividade foi tamanha que eles lançaram mais um ao vivo, desta
vez, batizado de “Plugado”, no mesmo ano.
Nesse meio tempo em que ficaram fora de cena, a gravadora ainda
soltou duas coletâneas no mercado: “Liberou Geral” em 1988 e “Bota
pra Fudê”, em 1990. O inédito “Quem é Você”, chegou em 1996 com o
seguinte line-up: Marcelo Nova, Karl Hummel , Robério Santana,
Luiz Carlini, Franklin Paolilli e Carlos Alberto Calazans.
Apesar de ter sido bem recebido pela crítica, parece que esse foi
mesmo o disco de despedida do Camisa, uma banda que conseguiu
protestar e fazer críticas, usando bom humor e ironia e que, mesmo
tendo várias faixas tocando sem parar nas rádios, manteve postura
e ideais intactos.
O vocalista Marcelo Nova continua investindo em sua carreira solo
e gravando álbuns regularmente. |
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O grupo Camisa de Vênus vai
aproveitar sua participação no Festival de Verão de Salvador para gravar
um CD/DVD ao vivo, marcando a retomada de suas atividades (a reunião foi
no fim do ano passado). O grupo toca no evento no sábado, dia 31. Os
membros originais Marcelo Nova (vocal), Karl (guitarra) e Gustavo
(guitarra) serão engrossados no palco por Dênis (bateria), Edu (baixo) e
Johnny (teclados). No repertório, os hits eternos (Bete Morreu, Joana
D‘Arc, Só o Fim, My Way, Silvia), algumas músicas da carreira solo de
Marcelo e uma surpresa: a versão para A Ferro e Fogo, pouco
executada ao vivo por seu arranjo original, que incluia uma orquestra
sinfônica. O pacote sai pela gravadora EMI.
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